segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

SERMÃO DA MONTANHA







“Bem aventurados os tristes”

Huberto Rohden, em o livro: Sermão da Montanha

“Antes de tudo, convém distinguir duas espécies de tristeza e alegria, uma tristeza central, permanente, por vezes circundada de alegrias periféricas, intermitentes – e uma alegria central, permanente, que, por vezes, se acha envolta em tristeza periférica, intermitente
Em outras palavras: pode haver uma tristeza-atitude e uma alegria-atitude- como também pode haver uma tristeza-ato e uma alegria-ato. Pode alguém ser triste e estar alegre- como também pode ser alegre e estar triste. O que é decisivo é a atitude interna, permanente, negativa ou positiva. E essa atitude radica, em ultima análise, num profundo substrato metafísico, a VERDADE, ou então o seu contrário.


Quem tem a consciência reta e sinceridade estar na Verdade é profundamente alegre, calmo, feliz, embora externamente lhe aconteçam coisas que o entristeçam – quem, no intimo da sua consciência, sabe que não está na Verdade é profundamente triste, ainda que externamente se distraia com toda espécie de alegrias.
..."Quem teme a concentração necessita de toda a espécie de distrações para poder suportar-se a si mesmo. E, como essas distrações e prazeres, pouco a pouco,calejam a sensibilidade, necessita esse homem de intensificar progressivamente os seus estimulantes artificiais para que ainda produzam efeito sobre seus nervos cada vez mais embotados”.

...”Enquanto o homem não descobrir a bela tristeza da vida espiritual, tem de iludir a sua fome e sede de felicidade com essas horrorosas alegrias da vida material. Essas alegrias externas, porém, têm sobre ele o efeito da água do mar, que tanto maior sede quanto mais dela se bebe”.

... “ Ora, esse caminho não pode deixar de ser estrito e árduo, uma espécie de tristeza, como é toda disciplina; mas no fundo dessa tristeza externa dormita uma grande alegria interior. É todavia, uma alegria anônima, silenciosa, imponderável, como costumam ser os grandes abismos e as grandes alturas. Aos olhos profanos, leva o homem espiritual uma vida tristonha e descolorida; o seu ambiente parece monótono e cor de cinza, como um vasto deserto.
E talvez não seja possível dar ao profano uma idéia da profunda alegria e felicidade que o homem espiritual goza, porque esta felicidade jaz numa outra dimensão, totalmente ignorada pelo profano. O homem habituado a certo grau de espiritualidade tem uma enorme vantagem sobre o homem não-espiritual: não necessita de estímulos violentos para sentir alegria, porque a sua alegria não vem de fora, e sim de dentro.


Basta-lhe uma florzinha a beira da estrada; basta o sorriso de uma criança a caminho da escola; basta o tanger de um sino ao longe; basta o cintilar de uma estrela através da escuridão –tudo enche de alegria, suave e pura, a alma desse homem, porque ela está afinada pelas vibrações delicadas que vêm das luminosas alturas de Deus”.


...” Por isso, a vida do homem espiritual é uma bela tristeza, ao passo que a vida do homem profano é uma pavorosa alegria. Mas o homem espiritual prefere a sua bela tristeza à pavorosa alegria do profano, que ele compreende perfeitamente, porque também ele já passou por esse estágio infeliz – ao passo que o profano não compreende a felicidade anônima do iniciado, porque nunca passou por essa experiência”.

... "Geralmente, os homens mais felizes são ignorados pela humanidade que escreve e lê livros e jornais, que fala do alto de púlpitos e das tribunas, que perde tempo com rádio e televisão ou procura salvar o gênero humano pela política.
Os milionários da felicidade são, quase sempre, os grandes anônimos da história, os “não-existentes”. Os poucos homens que aparecem em público são raras exceções da regra.
O grande exército dos “ bem-aventurados” não aparece em catálogos e cadastros estatísticos. São os irmãos anônimos da “ fraternidade branca” que estão presentes em toda a parte onde haja serviços a prestar, mas ninguém lhes percebe a presença, porque sempre desaparecem por detrás de suas obras.
Os muito ruidosos que se servem das suas obras como fogo de artifício de deslumbramento pirotécnico para iluminar a sua personalidade não fazem parte da “ fraternidade- branca”, porque não se eclipsaram no anonimato da benevolência universal.

Os verdadeiros redentores da humanidade são tão felizes no cumprimento da sua missão que nunca esperam pelos aplausos das platéias, mas desaparecem por detrás dos bastidores do esquecimento, no mesmo tempo em que terminam a sua tarefa. São igualmente indiferentes a vivas como as vaias, a aplausos como a apupos, a louvores como a vitupérios, porque eles vivem no mundo da silenciosa e profunda verticalidade invisível, incompreendidos pelos habitantes da ruidosa horizontalidade visível.

“ Bem-aventurados os que estão tristes – porque eles serão consolados”.

O Sermão da Montanha
Livraria Freitas Bastos SA
Rio de Janeiro, 1965.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

JUNG E DEUS



" ACHO QUE MEUS PENSAMENTOS GIRAM EM TORNO DE DEUS COMO OS PLANETAS GIRAM EM TORNO DO SOL, E SÃO DA MESMA FORMA IRRESISTIVELMENTE ATRAÍDOS POR ELE.



EU ME SENTIRIA COMO O MAIOR PECADOR QUERER OPOR UMA RESISTÊNCIA A ESSA FORÇA".



Jung, em Memórias,sonhos e reflexões.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

DETERMINISMO OU LIVRE ARBÍTRIO?












Maria Eugenia de Castro




" O determinismo sempre foi ancorado no destino, assim como o livre-arbítrio sempre foi vinculado às nossas escolhas. No plano individual, temos uma destinação que, no entanto, está sujeita a um destino coletivo.
Nascemos com um mapa "determinado" pelo céu e crescemos em um mundo em que as opções são bastante restritas. Em relação a este determinismo que configura nosso mapa, pelo menos no nível consciente, nos esquecemos do fato de ter sido escolha nossa.
Se acreditarmos que somos continuidade do que já fomos e se a vida de hoje é resultado e consequência de atitudes dos vários passados vividos, então estamos na rota do destino.

Creio que a vida nos dá um quinhão de livre-arbítrio ( talvez uns 40%) e um roteiro destinado a nossos desempenhos ou aprendizados ( talvez outros 40%) e os 20% que sobram é a quota do imponderável, de tudo que não temos a menor condição de mudar ou interferir.

A Astrologia não pode prever o fim de ninguém. É a ciência e a arte da vida, não da morte. Ela nos auxilia e nos conduz de modo a tirarmos o melhor proveito do tempo útil em que estamos por aqui."




do livro" Astrologia e Budismo- conversa entre dois saberes"


M Eugenia de Castro e Gustavo alberto Correa Pinto


Editora Saberes

sábado, 4 de fevereiro de 2012

O FUTURO NOS ESPERA




O futuro nos espera



Uma lenda oriental conta como um grupo de deuses teve um encontro para decidir onde esconder da humanidade a “ a verdade do Universo”.
O primeiro deus sugere escondê-la no fundo do oceano, mas os outros intervêm dizendo que as pessoas construiriam um submarino para tirá-la de lá. Um segundo deus sugere escondê-la no céu, num planeta distante da Terra, porém os outros deuses ponderam que uma nave pode ser construída para alcançar tal destino também. Finalmente, um terceiro deus sugere que eles pendurem a verdade em torno do pescoço de cada ser humano. Os outros deuses concordam que as pessoas nunca procurarão pela verdade num local tão óbvio. E então todos fazem como terceiro deus sugeriu.


Quando olhamos para o mundo para restaurar nossa paz mental, resgatar nossas esperanças perdidas ou para nos dizer como viver, pode ser que nunca encontremos a verdade que buscamos, pois ela está enterrada bem dentro de nós.
Porém, esse também é o aspecto de nós mesmos que projetamos nos outros: somos o que doamos. A idéia de que todas as nossas soluções residem em nós é sábia e profunda, mas nunca deveria ser entendida como se existissem dois eus, o externo e o interno, e que, contanto que o eu interior seja forte, ousado e eloqüente, leal ou sensível, o eu exterior pode ser deixado por conta de seus esquemas puramente funcionais – ganhar a vida, lavar o carro e a louça. A realidade é que formas verdadeiras de relaxamento não estagnarão em seu eu interior privado, mas irradiarão para o mundo externo, transformando o seu ser público , exterior, - e, cedo ou tarde, transformando também os outros.

Não podemos determinar exatamente o que acontecerá amanhã ou depois de amanhã, nem daqui a vários anos, mas podemos colocar energia positiva em movimento, esperando que por fim ela volte para nós.
Os círculos criados quando alguém joga uma pedra no meio de um lago se irradiam num crescendo até atingirem as bordas do lago, de onde começam a voltar ao centro, flutuando em suas complexas correntes cruzadas. Do mesmo modo, as bênçãos que enviamos para o mundo retornarão para nós. O que semeamos, colhemos: o princípio do Karma. Projetamos nossa forte e confiante virtude no desconhecido, como uma oração elevando-se em seu percurso para a divindade. Mais dia, menos dia, a oração é recompensada com revelações.


Devemos nos confrontar, entender quem somos, encontrar valor em nós mesmo e agir de acordo com esse valor. Se seguirmos por essa via de autoconsciência em direção ao contentamento, em vez de fugirmos para fontes escapistas de relaxamento, nossa energia positiva se transmitirá para o futuro.
E toda vez que chegarmos ao futuro veremos que ele estava ali o tempo todo esperando por nós – aprontando-se para nos receber em nome de tudo o que pensamos, dissemos ou fizemos no passado.

Mike George
Do livro: aprenda a relaxar
Editora Gente, SP.

domingo, 8 de janeiro de 2012

FELIZ 2012 - POR FREI BETTO

POR FREI BETTO

Desejo um feliz ano-novo quando, se Deus quiser, as crianças, ao ligarem a tevê, recebam um banho de Mozart, Pixinguinha e Noel Rosa; aprendam a diferença entre impressionistas e expressionistas; vejam espetáculos que reconstituem a Balaiada, a Confederação do Equador e a Guerra dos Emboabas; e durmam após fazer as orações.

Quero um ano-novo em que, no campo, todos tenham seu pedaço de terra, onde vicejem laranjas e alfaces, e voejem bem-tevis entre vacas leiteiras. Na cidade, um teto sob o qual haja um fogão com panelas cheias, a sala atapetada por remendos coloridos, a foto do casal exposta em moldura oval sobre o sofá.

Um feliz ano-novo com casais ociosos na arte de amar, o lar recendendo a perfume, os filhos contemplando o rosto apaixonado dos pais, a família entretida no diálogo que nem se dá conta de que o televisor é um aparelho mudo e cego num canto da sala.

Desejo um ano-novo em que os sonhos libertários sejam tão fortes que os jovens, com o coração a pulsar ideais, não recorram à química das drogas, não temam o futuro nem se expressem em dialetos ininteligíveis. Sejam, todos eles, viciados em utopia.

Espero um ano-novo em que cada um de nós evite alfinetar rancores nas dobras do coração e lave as paredes da memória de iras e mágoas; não aposte corrida com o tempo nem marque a velocidade da vida pelos batimentos cardíacos.

Um ano-novo para saborear a brevidade da existência como se ela fosse perene, em companhia de ourives de encantos, cujos hábeis dedos incrustam na rotina dos dias jóias ternas e eternas.

Um novo ano capaz de saciar a nossa fome de pão e beleza.
Espero um ano-novo em que as cidades voltem a ter praças arborizadas. As praças, bancos acolhedores. Os bancos, cidadãos entregues ao sadio ócio de contemplar a natureza, ouvir o silêncio e festejar com os amigos as minudências da vida - um leque de memórias, um jogo de cartas, o riso aberto por aquele que se destaca como o melhor contador de piadas.

Um ano-novo em que a competitividade ceda lugar à solidariedade; a acumulação à partilha; a ambição à meditação; a agressão ao respeito; a idolatria por dinheiro ao espírito das bem-aventuranças.

Aspiro a um ano-novo de pássaros orquestrados pela aurora, rios desnudados pela transparência das águas, pulmões exultantes de ar puro e mesa farta de alimentos despoluídos.
Rogo por um ano-novo que jamais fique velho, assim como os carvalhos que nos dão sombra, a filosofia dos gregos, a luz do Sol, a sabedoria de Jó, o esplendor das montanhas de Minas, a música gregoriana.

Um ano tão novo que traga a impressão de que tudo renasce: o dia, a exuberância do mar, a esperança e nossa capacidade de amar. Exceto o que no passado nos fez menos belos e bons.



Enviado pela Liane Leipnitz, amiga das estrelas e do coração.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

DIA DE REIS- DIA DOS ASTRÓLOGOS

Henry Siddons Mowbray, 1915


Guiados pela estrela de Belém vemos os Três Reis Magos, Baltazar, Gaspar e Melchior.

Este evento astronômico, segundo alguns estudiosos, seria uma linda conjunção de Jupiter e Saturno no signo de Peixes.


Levaram para Jesus menino o ouro, símbolo da realeza, o incenso que representa a fé, e a mirra que era usada para embalsamar corpos, simbolizando assim a imortalidade. Foram sepultados na Catedral de Colonia na Alemanha.

Estavam em busca Daquele, que segundo as escrituras, estava predestinado a salvar o homens de sua ignorância e soberba.


Jesus, o homem divino, filho de Deus, é o arquétipo da síntese entre o céu e a terra , a matéria e o espírito, entre Deus e o homem. Nossa humanidade divina.

Aqui veio para nos ensinar o amor ao próximo, a compaixão e o perdão, a mensagem do Amor Universal, sem fronteiras.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

PARA 2012 EU DESEJO

Tereza Kawall


Entre diferentes pensamentos e vontades
Trago em meu coração muitos desejos para todos vocês
Muita paz, e sobretudo, TEMPO de sobra para:

OLHAR e contemplar as estrelas que bordam o céu,
A ingenuidade cativante das crianças
( seria por acaso que criança rima com esperança?)
Os animais ( todos, inclusive aqueles que dão aflição)

SENTIR o cheiro da chuva e da manhã
Do manjericão e da hortelã

O aroma da flor que sorri para você

A sombra-delícia da árvore frondosa, gostosa
O calor de um abraço amigo

OUVIR com mais atenção e gentileza
Sabendo que este é um gesto de cura
ESPERAR dois minutos antes de proferir
A palavra que fere a alma do outro
FALAR ouvindo o seu coração

ACREDITAR que sim, existem pessoas boas e generosas
Dispostas a fazer um mundo melhor, e são muitas!
PODER ser uma delas

Se ENCANTAR com as pequenas alegrias do cotidiano,
Essa é uma conquista e tanto...

RESPIRAR mais devagar, e comer também.
DESGRUDAR da TV, ler um bom livro

TREINAR um olhar de compaixão para aqueles que te decepcionam
ESQUECER e
PERDOAR como conseqüência de seu amor próprio

MUDAR o que for possível, esperar pelo melhor
AGRADECER pelo caminho já percorrido e por ajudas recebidas

PARAR de olhar para o próprio umbigo, o que nos torna interessantes,
Porque interessados pelo outro

Não DESISTIR de você, seus sonhos aparentemente inviáveis
ESPANTAR a preguiça, amiga sorrateira dos insucessos
SABER que as redes sociais são ótimas, mas o tête-a-tête é também..

TER menos razão e ser mais feliz é uma boa pedida!
ABRAÇAR oportunidades, saber- se merecedor(a) delas
EMBELEZAR o mundo

DESAPEGAR-SE da sua suposta importância
INSPIRAR-SE em bons mestres, especialmente naqueles que são bem humorados!
LEMBRAR sempre que a vida tem uma tendência
Para curvar-se às nossas expectativas!

Com muito carinho!

domingo, 11 de dezembro de 2011

DEUSES DA MUDANÇA

Texto de Howard Sasportas


“ Nem sempre a vida é fácil. É impossível viver profundamente e não sentir dor ou atravessar tempos de crises, colapsos ou mudanças e rupturas importantes. Embora tudo isso seja inevitável, o que nem sempre fica óbvio é o papel crucial que a dor e a crise desempenham no processo de crescimento e evolução. Enquanto algumas pessoas desabam completamente e nunca mais se recuperam de tempos difíceis, muitas outras emergem renovadas e transformadas de conflitos e reviravoltas- na verdade com um sentimento mais pleno de estarem vivas. Tais pessoas “ retornam à vida” com um compromisso renovado em relação a um potencia negligenciado, com um senso renovado do que poderíamos chamar de “ sagrado” na vida e com maior sensibilidade em relação às outras pessoas.

Os antigos chineses tinham uma palavra sábia para nomear “ crise”: wei-chi, uma combinação de duas outras palavras, perigo(wei) e oportunidade(chi). Pode-se ver uma crise como uma catástrofe, como algo terrível a ser evitado a qualquer custo, mas também pode-se entendê-la como uma virada, um estágio ou degrau crítico em desenvolvimento – como a possibilidade de acontecer algo novo, uma oportunidade de deixar as coisas correrem e se transformarem.
É bastante humano recuar diante de situações dolorosas, desejar ardentemente que as coisas voltem a ser como eram antes da crise ter ocorrido. E mesmo assim também é possível que tais tempos possam ser usados como oportunidades para desenvolver e crescer, mas aprender mais sobre a vida e sobre si mesmo.
Algo morre, mas algo novo nasce. Nada permanece inalterado: o velho passa, mas algo diferente pode emergir.
Roberto Assagioli, o fundador da psicossíntese, chamou isso de “ colaboração com o inevitável”. Viver plenamente significa experimentar e aceitar tanto a luz como a escuridão, a alegria e a dor.
Na maior parte dos casos, os temos de dor, crise, colapso ou mudança têm correlação com trânsitos importantes de ou para Saturno, Quiron, Netuno ou Plutão, ou progressões envolvendo esses planetas.
Cada um deles traz o seu dilema distintivo peculiar, seu tipo particular de trauma, teste ou experimentação.
Um conflito que leve a marca de Saturno é diferente em sua natureza de uma crise envolvendo Urano; a confusão netuniana não provoca o mesmo sentimento que a ruptura uraninana; e o pulverizante Plutão trabalha sobre nós de uma maneira própria e inesquecível, lembrando-nos do adágio que fala que “ a vida é como uma pedra nos tritura ou nos dá polimento”.
Mas não importa que tipos específicos de conflitos, traumas, paradoxos ou dilemas tragam esses planetas, todos eles têm uma coisa em comum: não querem deixar-nos do mesmo jeito que nos encontraram.

Dane Rudhyar escreveu certa vez que “ não é o evento que acontece à pessoa, mas a pessoa que acontece ao evento. Um indivíduo se encontra com determinados eventos porque necessita deles para tornar-se mais completo naquilo que é apenas potencialmente”.
Há pessoas que são afortunadas: mesmo em meio a uma grande confusão ou desespero, elas conseguem vislumbrar o sentido ou a relevância de uma crise em termos e seu crescimento e desenvolvimento – e essa compreensão as ajuda através de suas dificuldades.

“ Infeliz daquele que não viu mais qualquer sentido para sua vida, qualquer objetivo, qualquer propósito e, portanto, qualquer motivo para continuar. Cedo ele se perdeu”
Viktor Frankl

Do livro: Deuses da Mudança, de Howard Sasportas
Editora Siciliano

domingo, 4 de dezembro de 2011

O SER QUE SOMOS, UM PASSO A MAIS

Caminho de Santiago de Compostela
Por Jean-Yves Leloup




“Ele só se tornará Jonas se for na direção de si mesmo, ousando dirigir-se para Nínve, ou seja, em direção ao outro. Porque é na relação com o outro que nós nos tornamos quem somos.
É o fato de ter uma tarefa a cumprir que torna cada um de nós insubstituível, dando um sentido `nossa existência Essa não é uma tarefa reservada apenas os grandes sábios e profetas., mas é o que cada ser humano pode realizar em sua existência. Só nos tornamos realmente quem somos se formos na direção do outro.
Não fugir do próprio desenvolvimento e não cair no conformismo patológico- o que chamamos de normose- é o resultado de um processo, de uma escolha cotidiana. O fato de ir além de si mesmo, ir além das próprias possibilidades, não é para se perder, mas para se encontrar.

Abraham Maslow fala do complexo de Jonas como sendo o medo que temos da nossa própria grandeza- o medo do Self. Se conseguirmos atravessar esse medo, se confiarmos nessa energia qe revela em nós o desejo de realização e de plenitude, então nossa missão se cumprirá.
Resta ainda, uma pequena dificuldade a ser vencida: Qual é a imagem que postulamos do Self? Que imagem temos do Absoluto que nos habita?

Normose significa estar estagnado, retido, seja numa imagem, seja num sintoma. A tarefa, então consiste em dar um passo a mais. Recordo a minha definição de espiritualidade, que é a mesma do peregrino de Compostela: dar um passo a mais.
A vida espiritual nem sempre consiste em ter grandes idéias e maravilhosos projetos, e sim, em dar um passo a mais a partir do ponto que nos encontramos. Não temos que nos comparar com ninguém. Para atingir o alvo, cada um precisa percorrer um caminho longo e único. O importante é dar um passo a mais. O ponto em que paramos é o começo do caminho que segue.É esse passo a mais que resgata a vontade da vida, que vem vindo ao nosso encontro.
Temos que escolher entre uma vida perdida e uma vida escolhida e doada. Através do dom de nós mesmos, descobrimos aquilo que nunca vai morrer em nós. Pois a única coisa que nada nem ninguém pode nos tirar é aquilo que já doamos”.

“ A normose pode ser definida como o conjunto de normas, conceitos, valores, estereótipos, hábitos de pensar ou de agir que são aprovados por consenso ou pela maioria em uma determinada sociedade, e que provocam sofrimento, doença e morte. Em outras palavras, é algo patogênico e letal, executado sem que os seus autores e atores tenham consciência de sua natureza patológica. Toda normose é uma forma de alienação”.
Pierre Weil

Do livro: Normose, a patologia da normalidade
Editora Verus




Foto de Alberto e Sílvia Sena, do site Caminhos de Santiago de Compostela