
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Cuidar do outro
Cuidar do outro“Uma outra motivação que se pode colocar na moldura das motivações interessadas: “ Se os seres vivos conhecessem os frutos da recompensa final da generosidade e das doações como eu os conheço, certamente eles não gostariam de cessar de doar aos outros, de partilhar com os outros até mesmo o último bocado de alimento”.
Buda toma o exemplo do alimento, mas podem-se acrescentar outras realidades: tudo o que eu possuo, se não o partilho, não posso saboreá-lo na sua essência. Posso ser feliz totalmente só. Mas menos bem; posso olhar uma paisagem completamente só, é evidente, mas eu a degustarei melhor, se estiver acompanhado da presença e do olhar do outro; posso viver sem você, mas talvez um pouco menos bem...
Alguém pode viver a sua própria libertação, trabalhando sobre si mesmo, mas viverá menos intensamente quando se fecha aos outros. O próprio Buda faz observar que esta abertura aos outros é uma das condições de nossa felicidade, de nosso progresso nessa vida e nas seguintes. Ele não faz apelo diretamente a esta qualidade interior de gratuidade, mas enumera um certo número de considerações para dizer até que ponto fazer o bem aos outros resulta em fazer o bem a si mesmo.
Amar seu próximo como a si mesmo é tratá-lo com se trata a si mesmo.Tratar o outro com a mesma atenção que temos para com nosso corpo não pode senão ser de proveito ao nosso próprio corpo - cuidar do outro é cuidar de um membro de si mesmo, é uma visão não egocêntrica, não fechada no “eu”.
Jean Yves Leloup
A Montanha no Oceano
Editora Vozes
domingo, 15 de novembro de 2009
Santosha


Três Atos positivos do espírito ( 1)
A satisfação
Trata-se presentemente de desenvolver as qualidades contrárias à negatividade. O que vai corresponder `a possessividade é a satisfação, saber estar contente com aquilo que a gente tem.
“ Deseja aquilo que tu tens e terás tudo o que desejas”.
Desejar, gostar daquilo que a gente tem, se diz santosha em sânscrito: o contentamento.Há pessoas que nunca estão contentes com aquilo que elas têm, que sempre encontram o que é melhor em outro lugar; outras estão contentes com um copo de água, com um raio de sol, com um sorriso.
Ao lado da necessidade de possuir sempre mais, de não estar nunca contente com o que a gente tem, há esta satisfação que não é auto-satisfação, mas reconhecimento em relação àquilo que nos é dado. É alguma coisa que devemos desenvolver em nós: saber acolher com gratidão aquilo que nos é dado. É então, que nos tornamos nós mesmos capazes de doar”.
Jean Yves Leloup
Do livro: A Montanha no Oceano- meditação e compaixão no budismo e no cristianismo.
Editora Vozes.
Desejar, gostar daquilo que a gente tem, se diz santosha em sânscrito: o contentamento.Há pessoas que nunca estão contentes com aquilo que elas têm, que sempre encontram o que é melhor em outro lugar; outras estão contentes com um copo de água, com um raio de sol, com um sorriso.
Ao lado da necessidade de possuir sempre mais, de não estar nunca contente com o que a gente tem, há esta satisfação que não é auto-satisfação, mas reconhecimento em relação àquilo que nos é dado. É alguma coisa que devemos desenvolver em nós: saber acolher com gratidão aquilo que nos é dado. É então, que nos tornamos nós mesmos capazes de doar”.
Jean Yves Leloup
Do livro: A Montanha no Oceano- meditação e compaixão no budismo e no cristianismo.
Editora Vozes.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Apagou o quê?



A luz necessária
Por Tereza Kawalll
O medo do escuro caminha ao lado história da humanidade, está na memória da nossa genética ancestral, ou no Inconsciente coletivo, para quem assim preferir.
Somos cada vez mais dependentes de uma tecnologia que de um lado nos serve, e por outro nos escraviza. Somos consumidores ou seres consumidos pela voracidade e por um sistema social que prioriza acima de tudo a eficiência e a produtividade
Em seu afã cientificista ou iluminista, o homem moderno acreditou ter dominado a natureza através e do conhecimento e da tecnologia, tornando-a mais previsível e “domesticada”.
Quanta ilusão! A natureza tem, claro, muito ciúmes de seus mistérios, e que vem sido desvendados pela ciência de forma espetacular por um lado, mas o preço a ser pago pelos excessos , em nome de um suposto “ desenvolvimento” e riqueza de poucos, já foi longe demais.
A saturação e o esgotamento na Mãe Natureza é algo absolutamente visível e palpável, mas a miopia e a inércia, mesclados com a ganância igualmente indomável dos poderosos não priorizam a urgência e gravidade do problema.
A mesma natureza , em forma de furacões, maremotos, raios e tempestades que tanto aterrorizava o homem das cavernas, é a mesmíssima que hoje nos deixa impotentes e horrorizados com a força e sua violência, seja em ciclones, incêndios, tsunamis, inundações e por aí vai.
Antes eram fenômenos naturais, e atualmente ainda o são, mas levam consigo muito da estupidez e do imediatismo que tanto caracterizam a cultura ocidental moderna.
Progresso a qualquer custo, e lá se vão nossas árvores, gramados, pássaros,
rios, noites estreladas....
Na mitologia grega, encontramos o mito de Prometeu, o herói semidivino que roubou o fogo sagrado de Zeus para entregá-lo aos homens.
“O fogo é o símbolo do espírito humano e das suas criações posteriores. Esse elemento foi fundamental para a evolução das civilizações. Permitiu ao homem cozinhar seus alimentos, forjar matérias primas em artefatos da cultura, fazer armas, se proteger do frio - a fogueira sempre esteve ligada aos processos de socialização. Por analogia, temos a imagem do fogo como a luz, símbolo do progresso e da evolução da consciência. Sem o fogo, o homem estaria condenado a viver nas grutas ou cavernas, e portanto, na escuridão.
Prometeu representa o impulso pela vida civilizada, o anseio humano de avançar através da tecnologia; rebelde com causa esse herói semi-divino é o princípio humanizador evolutivo, a inteligência humana, que ao desvendar os segredos da natureza, supostamente terá controle sobre ela.
Prometeu abriu o caminho para que os homens pudessem alcançar o progresso e tudo o que chamamos de civilização; o fogo roubado dos deuses nunca foi devolvido, significando simbolicamente que o conhecimento uma vez adquirido nunca mais se perde”.
Apagão mental?
A luz que nos parece subtraída não é de outra natureza, e não mereceria uma outra reflexão?
Nosso frágil “ homo tecnologicus” não está se privando da luz da própria consciência?
A exacerbação do conflito progresso versus natureza encontrará uma reposta?
É possível que Prometeu, um ser radical e provocativo, num momento de impaciência tenha devolvido momentaneamente o fogo sagrado à Zeus com o intuito de nos fazer acordar e repensar o que estamos fazendo em nome deste vazio frenesi tecnológico, virtual, relacional e existencial.
O homem tem uma mente extraordinariamente criativa e potente, e as suas conquistas feitas permitiram feitos maravilhosos em todas as áreas, seja social, econômica, cultura, espiritual, etc.
Precisamos urgentemente desta criatividade para tornar a vida que (ainda) temos mais qualitativa e menos quantitativa, mais real e menos virtual, mais afetiva e menos racional, mais prazerosa e menos ambiciosa.
Link: http://www.constelar.com.br/133_julho09/zeusprometeu.php
Por Tereza Kawalll
O medo do escuro caminha ao lado história da humanidade, está na memória da nossa genética ancestral, ou no Inconsciente coletivo, para quem assim preferir.
Somos cada vez mais dependentes de uma tecnologia que de um lado nos serve, e por outro nos escraviza. Somos consumidores ou seres consumidos pela voracidade e por um sistema social que prioriza acima de tudo a eficiência e a produtividade
Em seu afã cientificista ou iluminista, o homem moderno acreditou ter dominado a natureza através e do conhecimento e da tecnologia, tornando-a mais previsível e “domesticada”.
Quanta ilusão! A natureza tem, claro, muito ciúmes de seus mistérios, e que vem sido desvendados pela ciência de forma espetacular por um lado, mas o preço a ser pago pelos excessos , em nome de um suposto “ desenvolvimento” e riqueza de poucos, já foi longe demais.
A saturação e o esgotamento na Mãe Natureza é algo absolutamente visível e palpável, mas a miopia e a inércia, mesclados com a ganância igualmente indomável dos poderosos não priorizam a urgência e gravidade do problema.
A mesma natureza , em forma de furacões, maremotos, raios e tempestades que tanto aterrorizava o homem das cavernas, é a mesmíssima que hoje nos deixa impotentes e horrorizados com a força e sua violência, seja em ciclones, incêndios, tsunamis, inundações e por aí vai.
Antes eram fenômenos naturais, e atualmente ainda o são, mas levam consigo muito da estupidez e do imediatismo que tanto caracterizam a cultura ocidental moderna.
Progresso a qualquer custo, e lá se vão nossas árvores, gramados, pássaros,
rios, noites estreladas....
Na mitologia grega, encontramos o mito de Prometeu, o herói semidivino que roubou o fogo sagrado de Zeus para entregá-lo aos homens.
“O fogo é o símbolo do espírito humano e das suas criações posteriores. Esse elemento foi fundamental para a evolução das civilizações. Permitiu ao homem cozinhar seus alimentos, forjar matérias primas em artefatos da cultura, fazer armas, se proteger do frio - a fogueira sempre esteve ligada aos processos de socialização. Por analogia, temos a imagem do fogo como a luz, símbolo do progresso e da evolução da consciência. Sem o fogo, o homem estaria condenado a viver nas grutas ou cavernas, e portanto, na escuridão.
Prometeu representa o impulso pela vida civilizada, o anseio humano de avançar através da tecnologia; rebelde com causa esse herói semi-divino é o princípio humanizador evolutivo, a inteligência humana, que ao desvendar os segredos da natureza, supostamente terá controle sobre ela.
Prometeu abriu o caminho para que os homens pudessem alcançar o progresso e tudo o que chamamos de civilização; o fogo roubado dos deuses nunca foi devolvido, significando simbolicamente que o conhecimento uma vez adquirido nunca mais se perde”.
Apagão mental?
A luz que nos parece subtraída não é de outra natureza, e não mereceria uma outra reflexão?
Nosso frágil “ homo tecnologicus” não está se privando da luz da própria consciência?
A exacerbação do conflito progresso versus natureza encontrará uma reposta?
É possível que Prometeu, um ser radical e provocativo, num momento de impaciência tenha devolvido momentaneamente o fogo sagrado à Zeus com o intuito de nos fazer acordar e repensar o que estamos fazendo em nome deste vazio frenesi tecnológico, virtual, relacional e existencial.
O homem tem uma mente extraordinariamente criativa e potente, e as suas conquistas feitas permitiram feitos maravilhosos em todas as áreas, seja social, econômica, cultura, espiritual, etc.
Precisamos urgentemente desta criatividade para tornar a vida que (ainda) temos mais qualitativa e menos quantitativa, mais real e menos virtual, mais afetiva e menos racional, mais prazerosa e menos ambiciosa.
Link: http://www.constelar.com.br/133_julho09/zeusprometeu.php
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Vitrais de Chartres
Zodíaco na fachada externa da Catedral

Vitral de Libra
Vitral de Áries
"Chartres é chamada de “ A Catedral dos Vitrais”. Nada mais justo. São vitrais admiráveis, que tornam irreal a atmosfera no interior da basílica e fazem dela, nas palavras do poeta francês
Edmond Joly, “ o navio encantado de uma música silenciosa, celebrando com suas cores e sua luz o segredo da eterna travessia”.
Há vitrais do século 12, exibindo azuis que parecem roubados ao céu: Nossa Senhora do Belo Vitral, o Vitral da Paixão, o Vitral da Infância e vida de Nosso Senhor; o vitral da Árvore de Jessé.
Há vitrais do século 13, múltiplos quadros que contam historias da Bíblia ou da vida dos santos e as imensas rosáceas sobre os pórticos. Foram oferecidos por reis ou por grandes senhores feudais, ordens eclesiásticas ou corporações de profissionais. Foram todos fabricados no interior da própria catedral, e instalados à medida que o edifício se completava. Aos olhos dos seus construtores, toda aquela incomparável riqueza de formas, cores e luzes apresentava a imagem e sustentava a esperança mítica da Jerusalém Celeste.
Há inclusive um magnífico vitral astrológico, representando os doze signos do Zodíaco. Quando eu o observava, aproximou-se um grupo de turistas ingleses acompanhado por um guia que informou: “ Este é o vitral Astrológico, considerado um dos mais bonitos! E complementou, certamente ignorante do fato que a astrologia era objeto do maior interesse dos construtores das catedrais medievais: “ Mas vocês não acreditam nessa bobagem da astrologia, não é verdade”? Ao que um dos ingleses retrucou: “ Nós até podemos não acreditar. Mas os construtores da catedral certamente acreditavam. Se não, por que dariam um lugar de honra para o vitral astrológico”?
Texto de Luís Pellegrini
Livro : Os pés alados de Mercúrio
Editora Axis Mundi.
Link :http://www.sacred-destinations.com
Há vitrais do século 12, exibindo azuis que parecem roubados ao céu: Nossa Senhora do Belo Vitral, o Vitral da Paixão, o Vitral da Infância e vida de Nosso Senhor; o vitral da Árvore de Jessé.
Há vitrais do século 13, múltiplos quadros que contam historias da Bíblia ou da vida dos santos e as imensas rosáceas sobre os pórticos. Foram oferecidos por reis ou por grandes senhores feudais, ordens eclesiásticas ou corporações de profissionais. Foram todos fabricados no interior da própria catedral, e instalados à medida que o edifício se completava. Aos olhos dos seus construtores, toda aquela incomparável riqueza de formas, cores e luzes apresentava a imagem e sustentava a esperança mítica da Jerusalém Celeste.
Há inclusive um magnífico vitral astrológico, representando os doze signos do Zodíaco. Quando eu o observava, aproximou-se um grupo de turistas ingleses acompanhado por um guia que informou: “ Este é o vitral Astrológico, considerado um dos mais bonitos! E complementou, certamente ignorante do fato que a astrologia era objeto do maior interesse dos construtores das catedrais medievais: “ Mas vocês não acreditam nessa bobagem da astrologia, não é verdade”? Ao que um dos ingleses retrucou: “ Nós até podemos não acreditar. Mas os construtores da catedral certamente acreditavam. Se não, por que dariam um lugar de honra para o vitral astrológico”?
Texto de Luís Pellegrini
Livro : Os pés alados de Mercúrio
Editora Axis Mundi.
Link :http://www.sacred-destinations.com
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Zodíaco catedral Chartres
domingo, 1 de novembro de 2009
Labirinto de Chartres
Labirinto, símbolo da busca do Si-mesmo.
Vitral Rosa, Catedral de Chartres, França.Luis Pellegrini
"Como se não bastasse, a Catedral de Chartres trouxe ainda, até nossos dias, uma herança medieval tão preciosa quanto rara: um labirinto circular que ocupa toda a largura da sua nave central. Das muitas catedrais francesas que possuíam a labirintos similares, Chartres é a única que o conservou. Além disso, esse labirinto é considerado o maior de todos os que foram realizados: faltam apenas onze centímetros e meio para que seu diâmetro atinja treze metros.
O labirinto de Chartres é até hoje perfeitamente visível com suas pedras escuras encastradas no pavimento de pedras claras. Mas, infelizmente, mesmo esse labirinto não está completo. No seu centro havia, segundo testemunhos históricos, uma grande placa de cobre com a imagem, em relevo, do combate mitológico entre o herói Teseu e o Minotauro. Esta placa foi provavelmente removida em 1792, época da Revolução Francesa, e usada para a fabricação de canhões.
Mesmo os estudiosos católicos concordam hoje que o labirinto de Chartres, bem como os que existiam em outra catedrais francesas, é uma herança do labirinto antigo, um símbolo muito importante do pensamento filosófico e religioso do paganismo.
O labirinto é também símbolo importante no contexto da moderna psicologia, particularmente a psicologia analítica que se interessa pelos símbolos arquetípicos. Está ligado ao mito da luta do princípio heróico e solar ( Teseu) contra o princípio animal e noturno( Minotauro) A busca através do labirinto torna-se a busca do próprio Ser, e a imagem do labirinto aproxima-se à das mandalas da Índia e do Tibete.
É uma representação do indivíduo, do seu centro espiritual e da emanação cada vez mais intensa desse centro em direção às zonas exteriores.
Símbolo de tipo universal, usado pelo homem desde os tempos das cavernas, o labirinto representa também um sistema de defesa, anunciando a presença de alguma coisa preciosa ou sagrada que deve ser protegida.
Pode ter também uma função militar, para a defesa do território, de uma cidade, de uma tumba, de um tesouro; ele permite o acesso apenas aos que conhecem os planos de sua construção, aos iniciados.
Tem uma função religiosa contra os ataques do Mal; o Mal não é apenas o demônio, mas também o intruso, aquele que quer violar os segredos, corromper o sagrado, destruir a delicada intimidade das relações com o divino.
Mas o labirinto conduz também ao interior do si-mesmo, na direção de um santuário interior escondido, no qual encontra-se o aspecto mais misterioso da pessoa humana.
O labirinto é, finalmente, a imagem do homem e do seu destino; aquele que sabe ler, interpretar e desenhar o labirinto do seu espírito, esse é um eleito dos deuses.
Conhece o segredo dos mundos e a estrada que o levará de volta ao seio de essência primordial e indiferenciada: o núcleo central de todo labirinto.
Os sábios católicos da Idade Média sabiam de tudo isso. Conheciam a o significado profundo desses símbolos arcaicos, como a Madona Negra, o poço subterrâneo, o labirinto. E por isso introduziram e conservaram suas representações na própria estrutura interior de um dos maiores lugares sagrados da Cristandade: a Catedral de Chartres".
Do livro: Os pés alados de Mercúrio
Luis Pellegrini
Editora Axis Mundi, SP.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Maternidade, eis a questão
Semana passada me pediram um depoimento sobre mulheres que decidiram não ter filhos.Tenho duas filhas planejadas e amadas. Mas nunca fui obcecada pela maternidade. Acredito que qualquer mulher possa ser feliz sem ser mãe. Existem diversas outras vias para distribuirmos nosso afeto, diversos outros interesses que preenchem uma vida: amigos, trabalho, paixões, viagens, literatura, música - até solidão, se me permitem a heresia.
Conheço mulheres que se sentem íntegras e felizes sem ter tido filhos e mulheres rabugentas que tiveram não sei por que, já que só reclamam. Há de tudo nesta vida.
Mas tenho pensado nisso, porque, dia desses, uma amiga inteligente, realizada e linda completou 50 anos e se revelou meio abatida por certos questionamentos que chegaram com a idade - uma idade que está longe de ser das trevas, mas que é emblemática, não se pode negar. Ela nunca quis ter filhos. Escolha, não impossibilidade. Tem uma vida de sonho, mas anda se perguntando: não tive filhos, será que fiz bem?
Ninguém tem a resposta. Mas é fácil compreender o dilema. Quando entramos nos 30, o relógio biológico exige uma decisão: ter ou não? Algumas resolvem: não. Criança dá trabalho, criança demanda muita atenção, criança é dependente, criança interfere no relacionamento do casal, criança dá despesa, criança é para sempre.
Tudo é verdade, a não ser por um detalhe: crianças crescem.
Crianças se transformam em adultos companheiros, crianças são quase sempre nossa versão melhorada, crianças não herdarão apenas nossos anéis, mas nossos genes, nosso jeito, nossa história, e isso é explosivo, intenso, diabólico, fenomenal. Aos 30 só pensamos na perda da liberdade, mas aos 50 conseguimos entender que a maternidade é muito mais do que abnegação, é uma aposta no futuro.
Não estou fazendo a apologia da maternidade, sigo acreditando que todas as escolhas são legítimas.Sendo que a escolha mais legítima poderia ser a adoção. Ou a transferência do amor para sobrinhos.
E é um investimento que, diga-se, pode ser uma pedreira e nenhum mar de rosas? Nessas horas é que faz falta uma bola de cristal. O problema é a dúvida vir nos atazanar mais adiante. A gente nunca sabe como teria sido se...
É por isso que, compensa queimar bastante os neurônios antes de decidir. Por que não ser mãe também pode ser para sempre.
Martha Medeiros
domingo, 25 de outubro de 2009
Click!
RECEITA PARA UMA SAUDÁVEL LONGEVIDADE:
UM CORPO ALONGADO
E CONSTANTE CURIOSIDADE!
BOA SEMANA PARA TODOS.
Sobre a Curiosidade
Oriunda do latim CUR? que significa “por quê?”.Donde se formou, dentro do vernáculo, o adjetivo “curiosus”, o que indaga sempre o porquê. A curiosidade foi considerada pelos romanos “a alavanca do saber”, uma espécie de motor da evolução da pessoa.
Na orelha do meu livro de fotos “Vila Olímpia” coloquei o seguinte:
Diz a lenda que ao ser procurado para uma entrevista, o poeta americano Ezra Pound, próximo de seus últimos dias e após manter imenso silêncio durante anos, concordou, depois de muita insistência do entrevistador, em proferir uma única palavra, que considerasse significativa como mensagem:
CURIOSIDADE – Conselho aos jovens.
Comentário de Fernando Stickel, obrigadíssima!
sábado, 24 de outubro de 2009
Psicoterapia - Irving Yalom

Neste livro, Irving Yalom(foto) traz narrativas surpreendentemente verdadeiras, o escritor disseca a delicada relação entre médico e paciente. Longe de se mostrar um observador distante, Yalom se coloca no olho do furacão, confidenciando aos leitores suas fraquezas, seus preconceitos, suas antipatias e até mesmo erros. Ao contrário do que se imagina, os bons terapeutas também se entediam, se envolvem, se identificam, são involuntariamente seduzidos e repelidos, amam e odeiam os seus pacientes.
“Descobri que são quatro dados são particularmente relevantes para a psicoterapia: a inevitabilidade da morte para cada um de nós e para aqueles que amamos, a liberdade de viver como desejamos, nossa condição fundamental de solidão e, finalmente, a ausência de qualquer significado óbvio para a vida. Embora esses dados possam parecer terríveis, eles contém as sementes da sabedoria e da redenção. Espero demonstrar, nestes dez contos sobre psicoterapia, que é possível enfrentar as verdades da existência e aproveitar o seu
poder para a mudança e o crescimento pessoal”.
“ À medida que envelhecemos, aprendemos a tirar a morte da mente; desviamos a atenção do tema; nós a transformamos em algo positivo ( prosseguir, voltar para casa, reencontrar Deus, paz finalmente); a negamos com mitos confortadores; lutamos pela imortalidade por meio de obras imortais, lançando nossa semente no futuro por meio de nossos filhos ou abraçando um sistema religioso que ofereça perpetuação espiritual”.
“ Na verdade, a capacidade de tolerar a incerteza é um pré-requisito para a profissão.... A poderosa tentação de obter uma certeza abraçando uma escola ideológica e um sistema terapêutico hermético é traiçoeira: essa crença pode bloquear o encontro incerto e espontâneo necessário para uma terapia efetiva.
Esse encontro, o verdadeiro âmago da psicoterapia, é um encontro afetuoso, profundamente humano entre duas pessoas, uma delas ( geralmente, mas nem sempre, o paciente) mais perturbada do que a outra. Os terapeutas possuem um duplo papel: devem tanto observar quanto participar da vida de seus pacientes. Como observadores, devem ser suficientemente objetivos para oferecer a orientação rudimentar necessária ao paciente. Como participantes, entram na vida do paciente, são afetados por ela, e algumas vezes, modificados pelo encontro”.
“Devo aceitar que conhecer é melhor do que não conhecer, aventurar-se é melhor do que não se aventurar; e que magia e a ilusão, por mais magníficas e fascinantes que sejam, no final enfraquecem o espírito humano.
Eu encaro com profunda seriedade as poderosas palavras de Thomas Hardy: “Se existe um caminho para o Melhor, ele exige uma visão completa do Pior”.
“Uma vez que os terapeutas, não menos que os pacientes, precisam se confrontar com esses dados da existência, a postura profissional de objetividade desinteressada, tão necessária ao método científico, é inadequada.
Nós, psicoterapeutas, não podemos simplesmente tagarelar com simpatia e exortar os pacientes a se debateram corajosamente com os seus problemas. Nós não podemos dizer a eles você e seus problemas.
Ao contrário, devemos falar de nós e de nossos problemas, pois a nossa vida, a nossa existência, estará sempre presa à morte, do amor à perda, da liberdade ao temor e do crescimento `a separação.
Nós, todos nós, estamos juntos nisso”.
“ Mas existe o momento certo e o julgamento adequado. Jamais tire qualquer coisa se você não tiver nada melhor para oferecer em troca. Tome cuidado ao desnudar um paciente que não pode suportar o frio da realidade. E não se canse combatendo o encantamento religioso: você não é páreo para ele. A sede pela religião é forte demais, suas raízes profundas demais, seu reforço cultural poderoso demais.
No entanto, eu não deixo de ter fé, minha Ave-Maria é a invocação socrática: “A vida não examinada não vale a pena ser vivida”.
Do livro “ O carrasco do amor – e outras histórias sobre psicoterapia”
Irvin D. Yalom
Ediouro, Rio de Janeiro.
“Descobri que são quatro dados são particularmente relevantes para a psicoterapia: a inevitabilidade da morte para cada um de nós e para aqueles que amamos, a liberdade de viver como desejamos, nossa condição fundamental de solidão e, finalmente, a ausência de qualquer significado óbvio para a vida. Embora esses dados possam parecer terríveis, eles contém as sementes da sabedoria e da redenção. Espero demonstrar, nestes dez contos sobre psicoterapia, que é possível enfrentar as verdades da existência e aproveitar o seu
poder para a mudança e o crescimento pessoal”.
“ À medida que envelhecemos, aprendemos a tirar a morte da mente; desviamos a atenção do tema; nós a transformamos em algo positivo ( prosseguir, voltar para casa, reencontrar Deus, paz finalmente); a negamos com mitos confortadores; lutamos pela imortalidade por meio de obras imortais, lançando nossa semente no futuro por meio de nossos filhos ou abraçando um sistema religioso que ofereça perpetuação espiritual”.
“ Na verdade, a capacidade de tolerar a incerteza é um pré-requisito para a profissão.... A poderosa tentação de obter uma certeza abraçando uma escola ideológica e um sistema terapêutico hermético é traiçoeira: essa crença pode bloquear o encontro incerto e espontâneo necessário para uma terapia efetiva.
Esse encontro, o verdadeiro âmago da psicoterapia, é um encontro afetuoso, profundamente humano entre duas pessoas, uma delas ( geralmente, mas nem sempre, o paciente) mais perturbada do que a outra. Os terapeutas possuem um duplo papel: devem tanto observar quanto participar da vida de seus pacientes. Como observadores, devem ser suficientemente objetivos para oferecer a orientação rudimentar necessária ao paciente. Como participantes, entram na vida do paciente, são afetados por ela, e algumas vezes, modificados pelo encontro”.
“Devo aceitar que conhecer é melhor do que não conhecer, aventurar-se é melhor do que não se aventurar; e que magia e a ilusão, por mais magníficas e fascinantes que sejam, no final enfraquecem o espírito humano.
Eu encaro com profunda seriedade as poderosas palavras de Thomas Hardy: “Se existe um caminho para o Melhor, ele exige uma visão completa do Pior”.
“Uma vez que os terapeutas, não menos que os pacientes, precisam se confrontar com esses dados da existência, a postura profissional de objetividade desinteressada, tão necessária ao método científico, é inadequada.
Nós, psicoterapeutas, não podemos simplesmente tagarelar com simpatia e exortar os pacientes a se debateram corajosamente com os seus problemas. Nós não podemos dizer a eles você e seus problemas.
Ao contrário, devemos falar de nós e de nossos problemas, pois a nossa vida, a nossa existência, estará sempre presa à morte, do amor à perda, da liberdade ao temor e do crescimento `a separação.
Nós, todos nós, estamos juntos nisso”.
“ Mas existe o momento certo e o julgamento adequado. Jamais tire qualquer coisa se você não tiver nada melhor para oferecer em troca. Tome cuidado ao desnudar um paciente que não pode suportar o frio da realidade. E não se canse combatendo o encantamento religioso: você não é páreo para ele. A sede pela religião é forte demais, suas raízes profundas demais, seu reforço cultural poderoso demais.
No entanto, eu não deixo de ter fé, minha Ave-Maria é a invocação socrática: “A vida não examinada não vale a pena ser vivida”.
Do livro “ O carrasco do amor – e outras histórias sobre psicoterapia”
Irvin D. Yalom
Ediouro, Rio de Janeiro.
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